A Revolução Digital

A Internet, a rede mundial de computadores, teve seu início no final da década de 60 quando foi criada a ARPANET, com o intuito de descentralizar dados através de vários computadores interligados, porém a internet tal qual a conhecemos e usamos hoje surgiu no início dos anos 90 quando pesquisadores do CERN (Organização Européia Para a Pesquisa Nuclear) criaram o world wide web - o www que aparece diante do nome de sites - que, padronizando a exibição de documentos nos computadores, permitiu sua visualização sem que o usuário tivesse necessidade de conhecer profundamente sobre programas de acesso à rede. Esta facilidade de acesso popularizou a Internet que, até então, estava relegada a fanáticos por computadores, profissionais da área e pesquisadores que necessitavam de rapidez na troca de informações.

A popularização da rede mundial de computadores está provocando uma grande revolução na sociedade global: cada vez mais e mais pessoas começam a acessar a Internet e descobrem-se diante de um maravilhoso mundo novo, repleto de possibilidades: ler notícias online, pesquisar, visitar museus virtualmente, procurar emprego. Cada vez mais e mais pessoas inserem o uso da rede em seu dia-a-dia: aumentando sua produtividade ao estar diretamente em contato com colaboradores e clientes, conhecendo pessoas de todos os cantos do mundo com interesses similares, divulgando seu próprio negócio.

Desta forma, relações pessoais, comerciais, de consumo e de trabalho, entre outras, passam pela rede mundial de computadores, provocando uma revolução jamais vivida pelo mundo até hoje.

A internet traz consigo uma globalização maior do que aquela provocada pelas grandes navegações, que descobriu novos continentes e ampliou como nunca, até então, os mercados ao oferecer novos e desconhecidos produtos. Cria novos postos de trabalho com a mesma velocidade com que fecha outros com uma rapidez muito maior do que aquela provocada pela revolução industrial. Democratiza o acesso a informações a muito mais pessoas e com mais amplitude que a invenção da imprensa por Guttemberg o fez.

Aqueles que não têm acesso à rede mundial de computadores estão sendo excluídos desta revolução. Vivem o que se chama de exclusão digital. A exclusão digital é um problema sério que deve ser combatido por todos os governos. A diferença entre alguém que sabe usar um computador e acessar a Internet daquele que não sabe nada sobre este assunto (uma vítima da exclusão digital) pode, em alguns anos, ser tão grande quanto a que existe entre um analfabeto e um alfabetizado. Exagero? Nem tanto. Um "analfabeto" digital terá dificuldade de conseguir emprego já que mais e mais empresas colocam em seus sites institucionais um 'trabalhe conosco' que abre uma página em que convida o visitante a enviar seu currículo. Como ficam aqueles que não tem acesso ao site?

Nosso país precisa investir na democratização do acesso à Internet, em mais incentivos fiscais e programas sociais que barateiem o preço de computadores e popularizem seu uso e, principalmente, na educação para o uso destes instrumentos.

Óbvio que as pessoas têm direito à escolha do não uso da Internet. O uso da rede mundial de computadores jamais poderá ser compulsório. Todo cidadão tem o direito de não querer comprar pela Internet, de não fazer transações nos sites dos bancos, de entregar sua declaração de renda em disquete e não pelo computador, de pesquisar em livros dentro de bibliotecas e não em mecanismos de busca; porém, antes de exercer este direito de escolha, ele tem o direito básico de conhecer a Internet, de saber como funciona, ter acesso à rede, para só assim poder dizer que não quer usá-la. Deixar que pessoas não tenham acesso à Internet é condená-las a ver a história passar diante de seus olhos sem que embarquem nela.

© Texto elaborado por Profª. Dra. Léa Elisa Silingowschi Calil - Advogada, professora no Centro Universitário FIEO - UniFIEO, mestre e doutora em Direito pela PUC/SP. Autora do Livro "História do Direito do Trabalho da Mulher".


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