Os Perigos da Globalização

INTRODUÇÃO:

Muito se tem falado sobre o Pós-Modernismo e Globalização porém pouco se tem definido sobre tais conceitos: Afinal o que é Pós-Modernidade? O que é globalização?

A pós-modernidade nada mais é do que um período de transição indefinível, com mudanças de paradigmas e conceitos abstratos e subjetivos, onde ninguém consegue ao certo conceituá-la. Como todo "PÓS", somente o futuro dará um nome a esta tremenda confusão e indefinição para o momento que vivemos. Os contemporâneos não são os melhores observadores do momento histórico, pois o envolvimento emocional do momento vem permeado de aspectos ideológicos indissociáveis de um observador isento de quaisquer influências.

A Globalização sempre existiu, basta lembrarmos de Hollywood, e para entender que este fenômeno (ou praga). A globalização é um produto Made in USA, que tomou força graças ao advento da Internet (pela Microsoft).

Vejamos alguns perigos da globalização na construção da nova sociedade do século XXI:

I - O perigo da construção de uma sociedade Hedonista. O prazer pelo prazer. Sexo, drogas e Música (Antigamente era Rock, agora é Funk) são objetivos prioritários para nossa juventude. Fico assustado quando ouço nos meios de comunicação de massas músicas com apologias ao crime organizado, drogas e a prática de sexo livre em grupo. Tais músicas fazem sucesso porque encontram guarita em um mundo globalizado, onde o ser humano tem procurado satisfazer suas necessidades básicas através de suas realizações de prazer. Creio que até Freud ficaria assustado com tanto libido social.

II - O perigo da construção de uma sociedade niilista. A Ausência total de referencial. Deleuze, filósofo francês, apontou uma crítica que Nietzsche fez à filosofia de Schopenhauer. Para Schopenhauer existe um nada de vontade, enquanto para Nietzsche existe a vontade do Nada. Hoje estamos vivemos mais um negativismo schopenhauerano do que o niilismo proposto por Nietzsche, que apropriou-se deste conceito da religião budista. Nossa sociedade caminha para uma ausência total de desejo, pois os velhos paradigmas estão sendo quebrados, porém não estamos construindo outros no lugar. Há uma total ausência de ícones na sociedade pós-moderna.

III - O perigo da construção de uma sociedade alienada. Nas grandes empresas falasse muito sobre a questão da transversalidade, associada à questão da qualidade total (a velha reengenharia , lembra-se?). Este modelo neo-liberal imperialista, seria melhor definível como "Transversalidade Ideológica". Missão, declaração de propósito, lema da empresa, seja qualquer que for o título que se emprega a esta modalidade, nada mais é do que a tentativa de desviar o homem dos temas centrais, reais e necessários à sua sobrevivência, senão alienar, principalmente os países do terceiro mundo, para os temas centrais que interessam tão somente aos imperialistas.

IV - O perigo da construção de uma sociedade de consumo adicto. O vício do consumismo. O importante é o ter e o consumir e não o ser e existir. O direito do cidadão virou direito do consumidor. Tudo agora está girando pela questão do patrocinador. Recebi recentemente uma mensagem de um amigo sobre a mudança do hino nacional brasileiro, devido à exigências dos patrocinadores para 2002, e assim ficou o hino:

Num posto da Ypiranga, às margens plácidas,
De um Volvo heróico Brahma retumbante
Skol da liberdade em Rider fulgido
Brilhou no Shell da Pátria nesse instante
Se o Knorr dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço Ford
Em teu Seiko, ó liberdade
Desafio nosso peito à Microsoft.
O Parmalat, Mastercard, Sharp, Sharp
Amil um sonho intenso, um rádio Philips
De amor e de Lufthansa a terra desce
Intel formoso céu risonho Olympicus
A imagem do Bradesco resplandece.
Gillet pela própria natureza
És belo Escort impávido colosso
E o teu futuro espelha essa Grendene.
Cerpa gelada !
Entre outras mil é Suvinil, Compaq amada
Do Philco deste Sollo és mãe Doril
Coca Cola, Bombril!!!

V - O perigo da construção de uma sociedade individualista. A relação de competição é tão grande, que fica difícil identificar sociologicamente onde há conflito e competição. Estamos evoluindo para lei da selva. Meu pai falava sobre a lei do MURICI: Cada um cuida de si. Quando era criança não entendia muito o que ele queria dizer com isto, e ainda não sei se entendi plenamente, mas seja o que for estamos vivendo momentos em que as relações humanas não tem valor alguns, a não na base de troca. A pergunta básica é: O que eu vou ganhar com isso? Este individualismo acerbado tem trazido terríveis danos à nossa sociedade. Precisamos resgatar valores como cooperação, amizade, companheirismo, reciprocidade, etc.

VI - O perigo da construção de uma sociedade "tecnológicêntrica". Desde Descartes passamos a dotar o falso mito da racionalidade humana como veículo de domínio da explicação do mundo. Isto tomou força com o racionalismo Kantiano, onde a razão passa, através do turbilhão, ser o instrumento da visão e entendimento do mundo. O iluminismo permeado desta tão grande razão perpetuou tais conceitos culminando com Augusto Comte através de sua filosofia positivista, quando coloca o estágio tecnológico como sendo o final do processo evolutivo do homem (Mito-Filosia-Ciência). O tecnicismo e o cientificismo em que estamos mergulhados tende a um processo de desumanização da relações humanas. Estamos mais nos relacionando com máquinas do que com seres humanos. A máquina é o fim, o homem o meio. Devemos usar máquina e amar o ser humano, inverter esta ordem causa problemas.

VII - O perigo da construção de uma sociedade amoral. Diante das recentes descobertas científicas, principalmente na área biogenética, o homem precisa mais do que nunca, precisa estabelecer referenciais, condutas e posturas éticas para que não venhamos a proceder contra a própria natureza humana (se é que existe uma natureza humana no homem). A clonagem, a informações do mapeamento genético, os transgênicos, e outras novas descobertas colocam o homem na crucial questão: Qual é o limite do homem? Numa sociedade onde o capitalismo instaurou-se com único modelo econômico, onde o imperialismo oprime os mais fracos, onde o prazer está pelo prazer, onde a pornografia (principalmente a pedofilia) tem crescido assustadoramente e onde o comércio do narcotráfico é o mais rentável, o que devemos esperar desta sociedade?

VIII - O perigo da construção de uma sociedade com perda de identidade cultural. O imperialismo do Primeiro Mundo ocorre principalmente através do processo de globalização. Começa tal domínio se estabelecer através da linguagem, onde aportuguesamos várias expressões importada: Deletar, scanear etc. Não sou xenófobo - aquele que tem aversão ao que é estrangeiro, mas acredito na valorização daquilo que é nosso culturalmente, até como princípio de preservação de nossa identidade cultural. Também não sou tão radical, pois se formos considerar a cultura brasileira com sendo nossa identidade cultural, precisamos resgatar o tupi-guarani nas escolas e reavaliarmos a cultura afro-européia.

Concluo, se é que podemos concluir um assunto desta natureza, com uma pequena comparação: Um certo homem decidiu derrubar sua velha casa onde foi criado desde sua infância, e de um dia para outro demoliu tudo, porém não planejou a sua nova morada, ficando ao relento. Assim estamos vivendo nesta era da Pós-modernidade com terríveis Conseqüências deste mundo globalizado, onde estamos perdendo não somente nossa morada, mas principalmente nossa identidade. O que será do futuro ? Só o futuro dirá.

Sugestão didática de como trabalhar este texto em sala de aula
I - TEMA
Os perigos da globalização
II - COMPETÊNCIAS E HABILIDADES
O aluno deverá ser capaz de entender o que significa a globalização e a influência que isto tem sobre a sua vida pessoal e na construção de uma nova sociedade.
III - ATITUDES
1. Exposição do conceito de globalização pelo professor
2. Análise do texto: Os perigos da globalização
3. Listar, além do texto, outros perigos da globalização
4. Exposição de idéias
IV - METODOLOGIA
1. Aula expositiva
2. Dinâmica de grupo
3. Explosão de idéias
V - AVALIAÇÃO
Esta atividade vale 10 pontos e a freqüência de aula.

© Copyright 2001 - Prof. Vanderlei de Barros Rosas - Professor de Filosofia e Teologia. Bacharel e Licenciado em Filosofia pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro; Bacharel em teologia pelo Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil; Pós-graduado em Missiologia pelo Centro Evangélico de Missões; Pós-graduado em educação religiosa pelo Instituto Batista de Educação religiosa.


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