Afinal, o Que é a ALCA?

O Brasil é PENTA, e, sem dúvida alguma, isto é um grande motivo de orgulho: O ORGULHO DE SER BRASILEIRO. Mas existem outros desdobramentos deste orgulho que devem ser observados por nossa nação pentacampeã: O exercício pleno de sua cidadania, não somente diante das urnas, mas no opinar sobre decisões legislativas, políticas e econômicas sobre o destino do nosso país.

Estamos às vésperas de um Plebiscito Nacional sobre a ALCA (Área de Livre Comércio das Américas), que será realizado nos dia 1° a 7 de setembro de 2002.

Minha maior preocupação é que o povo brasileiro não esteja familiarizado com certos termos e intenções que a proposta da ALCA impõe para nossa economia.

Mas afinal, o que é a ALCA? O que é a NAFTA? O que aconteceu com o México após a NAFTA? A quem interessa a formação deste bloco econômico? Quem sai ganhando e quem sai perdendo?

Em se tratando de uma proposta Americana, é muito fácil descobrir quais são as respostas à essas e às outras perguntas.

Depois do sucesso, para os Americanos, da NAFTA (Acordo de Livre Comércio da América do Norte), que envolve México, Canadá e Estados Unidos, chega agora a ALCA para expandir esta vantagem imperialista aos países do hemisfério ocidental, exceto Cuba, que assim que Fidel Castro morrer, este poderá ser anexado como 51° Estado Americano, ou vocês pensam que o ex-presidente americano J.Carter fez uma visita de verão a Cuba este ano?

Volto a afirmar: Não sou xenófobo, mas defendo com unhas e dentes a "nossa soberania nacional", portanto, sou radicalmente contra e repudio tudo aquilo que afeta nossa dignidade e consciência nacional.

Com a consolidação do Mercado Comum Europeu e a instalação do Euro, quebraram a economia americana que depende única e exclusivamente da economia latino americana.

A ALCA baseia-se em três pilares:

I. Neomercantilismo - Tornar a floresta Amazônica área de Preservação Internacional e a política protecionista americana, torna país de economia menores, colônias americanas de onde retiram matéria prima barata, industrializam e vendem o produto industrializado a preço que eles mesmos determinam, pois têm poder de determinação de mercado.

II. Neoliberalismo - A política da privatização nada mais é que o sucateamento das empresas estatais para entregar de vez o país nas mãos dos especuladores internacionais. A última de todas é a Participação da Empresa Corus com a CSN: Privatizaram nosso aço.

III. Neoimperialismo - Os Estados Unidos não é o Juiz ou o referencial paradigmático do mundo (ainda que a globalização assim impõe). A soberania das nações deve ser respeitada.

Apesar de todas as Neos, a ALCA não passa da velha tentativa americana de manipular e monopolizar a todos com seu vasto império.

SOU CONTRA:

1. Sou contra a idéia americana de que a Amazônia faz parte de uma reserva Internacional.

2. Sou contra a instalação de uma Agência do FBI e/ou CIA em São Paulo em pretexto do combate ao narcotráfico e/ou terrorismo.

3. Sou contra a instalação de uma base de lançamento de foguetes em Acantara - Maranhão, com o abuso de isenção de inspetoria alfandegária, com a desculpa da proteção de conhecimento tecnológico.

4. Sou contra o fazer do território Nacional solo americano e fazer do Brasil uma sucursal dos EUA para a América Latina.

5. Sou contra a desestabilização econômica e política da Venezuela, Argentina e Paraguai. Esta desestabilização compromete o Mercosul e abre espaço para a ALCA. Interessante a coincidência, acrescentando-se o aumento do "Risco Brasil". Precisamos socorrer nossos "hermanos", para que eles também não se tornem mais escravos ainda do FMI, fortalecendo o Mercosul.

6. Sou contra a Reforma na CLT como exigência das multinacionais para implementarem suas atividades em solo brasileiro, e explorar a mão-de-obra barata (escrava) é um desrespeito à dignidade humana.

Durante debate recente em uma Universidade, nos Estados Unidos, o ex-governador do Distrito Federal, Cristovam Buarque, foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia.

O jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro.

Segundo Cristovam, foi a primeira vez que um debatedor determinou a ótica humanista como o ponto de partida para a sua resposta:

"De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso.

Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a Humanidade.

Se a Amazônia, sob uma ótica humanista, deve ser Internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro.

O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.

Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país.

Não faz muito, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado. Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA.

Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a Humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro. Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.

Nos seus debates, os atuais candidatos a presidência dos EUA tem defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de ir a escola. Internacionalizemos as crianças, tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os Dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, que morram quando deveriam viver.

Como humanista, aceito defender a Internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa."

O BRASIL É NOSSO

© Copyright 2002 - Prof. Vanderlei de Barros Rosas - Professor de Filosofia e Teologia. Bacharel e Licenciado em Filosofia pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro; Bacharel em teologia pelo Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil; Pós-graduado em Missiologia pelo Centro Evangélico de Missões; Pós-graduado em educação religiosa pelo Instituto Batista de Educação religiosa.


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