Nem Corpo, Nem Mente: Corpomente

A tecnologia e o conhecimento humano evolui de modo espantoso; e o homem, cada dia mais, se torna dependente de suas criações. Os sistemas de comunicação facilitam o desenvolvimento e quebram as fronteiras físicas para um novo mundo, que, embora não o sentimos através de nossos sentidos, permeia nossa atmosfera e envolve a cada um de modo indistinto, sem relevar os aspectos étnicos, religiosos, partidários e raciais. São mais de 10 mil ondas por cm². Imagine que se fizermos uma pilha de telefones celulares e discarmos o número de apenas um, ele soará imediatamente. Não vemos, não ouvimos e nem sentimos, no entanto não podemos negar a evidência que, mesmo sem haver qualquer conexão física, o telefone toca.

A dicotomia cartesiana que ainda prevalece e norteia o desenvolvimento científico nos dá a dimensão de uma ciência evoluída e um homem fragmentado, cujo psiquismo e as faculdades mentais pertencem a uma dimensão irreal, porque não pode ser tocada, manipulada e experimentada fisicamente. A doença e os modos patologizantes, medidos sob aspectos concretos de um organismo vivo e palpável, reforçam as polaridades de uma ciência concreta/racional, formulada em pensamentos conduzidos exclusivamente por respostas pré-concebidas.

Imaginem que para se fazer um bolo é preciso misturar certos ingredientes como a farinha, os ovos, o fermento e o leite. O bolo pronto, deixa de ser farinha, ovos, fermento e leite, no entanto é tudo isso e algo mais: agora também é bolo. Mesmo que ao experimentar um bolo você não dimensione os seus ingredientes, não poderá furtar-se diante da evidência concreta de seu conteúdo.

Ora, se cremos, porque usufruímos e avaliamos os efeitos, por que não pensar no potencial físicomental em sua totalidade e como capacidade inerente ao homem em suas diferentes dimensões? Não estará o homem vivendo sob uma hipnose coletiva e não seria o chamado estado de hipnose a condição real do viver humano?

© 2001 - Prof. Paulo Madjarof Filho - Professor e Psicólogo, Mestrando em Psicologia da Saúde pela UMESP, trabalhando, atualmente, no Projeto Morador de Rua na região do ABC Paulista.


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