2001 - Ano Internacional do Protesto Voluntário

2001 foi proclamado Ano Internacional do Voluntariado e, mais uma vez, assistimos a manobra do poder público - pela desgraça humana ou em nome dela - em mobilizar os cidadãos para as necessidades e carências do homem. As diferenças sociais agravadas pelo desemprego que geram uma demanda social em função da letargia do poder público, mostra-se campo fértil para o desenvolvimento de projetos de ação comunitária, sensibilizada, ou quem sabe responsabilizada, pelas gritantes diferenças. Os voluntários! Quem diria! Engrossam essa demanda e agravam o desemprego.

Realizar um trabalho voluntário implica numa capacidade de doar incondicionalmente. Uma ampliação de fronteira, do interior para o exterior, do particular para o social. Pela ótica da ação voluntária, o feio se torna bonito, o cruel se torna humano, a culpa em redenção. Ser voluntário num país de alto índice de desemprego e acentuada desigualdade social, é ser conivente com a inoperância do Estado e, por que não dizer, colaborador.

O governo que tem a máquina nas mãos, tal qual um títere e em nome da caridade, manipula a massa ao mesmo tempo em que se exime de suas obrigações básicas. Campanhas publicitárias caríssimas nos dá a dimensão de que o governo é sabedor da demanda - mea culpa - e opta em convocar voluntários para dar conta, do que ele, governo, tem se mostrado incapaz.

É preciso retirar os óculos da hipocrisia e encarar a realidade. Sabemos que o homem não vive só e que é um ser dependente desde o seu nascimento. Está portanto contido no cerne da espécie humana uma conduta social que, de certo modo, implica numa conduta voluntária, uma necessidade / capacidade de dar e receber. Igualmente, devemos estar atentos para as razões das desigualdades sociais e suas repercussões nas diferentes camadas sociais. Somos essencialmente voluntários sem campanha governamentais, sem instituições e sem horas a cumprir. Portanto, devemos evitar a institucionalização das "ações humanas voluntárias" e não permitir que voluntário se torne condição / imposição / obrigação.

© 2001 - Prof. Paulo Madjarof Filho- Professor e Psicólogo, Mestrando em Psicologia da Saúde pela UMESP, trabalhando, atualmente, no Projeto Morador de Rua na região do ABC Paulista.


Pesquise abaixo sobre filosofia:

Elaborado e Idealizado por Rosana Madjarof — Mantido por Carlos Duarte