Mudanças II - Espaço

Antes peço desculpas ao leitor (se é que o tenho), no artigo anterior disse que mandaria um artigo por semana e não me foi possível manter este passo. Como a vida ainda não acalmou vou mudar o passo, para poder cumprir o prometido: escrevo de três em três semanas.

Bom, estava falando exatamente de mudanças, dividindo os motivos de transformações em dois, dum jeito bem simples: naturais são os fatores que independem da ação humana, artificiais são aqueles em que o ser humano toma parte. Agora chegou a hora de falar sobre um outro âmbito de transformações: as alterações na natureza, a tal questão ecológica.

É da própria natureza modificar-se, nem na morte a matéria se imobiliza. Ela tem suas próprias tendências de transformações, tendências que misturam uns cem números de fatores climáticos, astronômicos, animais etc.

A elevação da temperatura pode levar algumas plantas de uma região marinha, por exemplo, a aumentar sua atividade e reduzir a atividade de outras; isto vai ter conseqüências na vida das várias espécies herbívoras que ali habitam, e, por via diversa, podem mexer nas populações carnívoras. Estas mudanças todas podem facilmente extrapolar a região que estamos imaginando e alcançar regiões vizinhas, tanto aquáticas quanto terrestres (não são poucas as interações entre os diferentes ecossistemas). Tudo isto junto pode levar o clima a se transformar há milhares de quilômetros dali - são interações caóticas que a humanidade está apenas começando a entender.

A partir daí a gente pode ver melhor o assunto. Não dá para prever tudo que vai acontecer cada vez que desmatamos um pedaço da Amazônia ou aumentamos a cota de pesca ao bacalhau no Mar do Norte - mas também não sabemos os efeitos da irrigação dos desertos israelenses ou da proibição da caça aos elefantes africanos. A humanidade é um mega-jogador neste pebolim global, qualquer coisa que nós fizermos (como espécie), tem implicações seriíssimas de curto e longo prazo.

Ocorre que já somos mais de cinco bilhões, distribuídos no globo inteiro e com jeitos os mais variados de interação com a natureza. Não dá para parar tudo agora. Se ainda há alguma dúvida eu lhes digo com todas as letras: é inevitável que a espécie humana continue por aqui pelo menos até meados do século XXI (quando seremos finalmente substituídos por robôs pensantes, por meta-humanos produzidos através do melhoramento genético e por uma grande variedade de interações entre estes tipos). Enquanto estivermos por aqui vamos continuar mudando a Terra, de maneira caótica se for possível regulamentar, de maneira organizada se houver legislação que parta de terreno sólido.

O preservacionismo, por si só, não é alternativa. Só nos resta optar sobre como nos utilizaremos dos recursos naturais. Pesquisar antes de realizar grandes ações e agir com responsabilidade, mas parar já não dá.

© Prof. Luis Marcello de Almeida Pereira

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