Massacre em Escolas

Massacres em escolas, promovidos por algum aluno descontente, são mais uma "mania" norte-americana que parece ter sido exportada para o resto do planeta. Some-se um adolescente frustrado alimentado à base de filmes e videogames violentos com acesso fácil a armamento pesado e temos uma tragédia.

Invariavelmente, os jovens que cometem esta modalidade de crime suicidam-se após fazer o maior número possível de vítimas na escola em que estudou, ou que há até pouco tempo estudava, deixando o mundo perplexo e sem respostas para o porquê de sua ação. Agem como se toda sua vida tivesse existido para realizar este único e grandioso ato de fúria. Parte destes adolescentes é descrita como quieta e reservada, mas também são caracterizados como alunos que, se não aplicados, ao menos regulares que, até então, não apresentavam qualquer amostra do comportamento desviante que os tiraria do anonimato.

O mais impressionante nestes atos de fúria descontrolada é o fato de serem praticados por adolescentes. A adolescência, sabem todos que passaram por ela, é repleta de dúvidas, questionamentos, e inseguranças, mas também de esperanças, promessas e descobertas. Novas gerações são, sempre foram e sempre o serão, inclusive evolutivamente, o futuro de qualquer espécie, de qualquer civilização. O mundo de hoje encontra sua razão de existir nas gerações futuras. Criam-se leis, geram-se riquezas, constroem-se prédios e estradas sempre visando ao futuro, às novas gerações, aos jovens. Por sua vez, adolescentes renegam as gerações passadas, seus valores e suas regras, almejando a construção de um mundo melhor, sem as gritantes injustiças presentes no mundo em que nasceram e cresceram. Se conseguirão ou não mudar este mundo, é outra história, mas, com certeza, alguma vez pensarão nisso.

Talvez, por isto, seja tão chocante saber de um jovem que tomou de uma arma e descarregou nos corredores e salas de aula de uma escola e depois deu cabo da própria vida. Jovens devem acreditar que podem mudar o mundo em que vivem, que podem fazer alguma diferença. Se ainda adolescente alguém perde essa esperança, o que lhe resta? Puxar o gatilho?

© Texto elaborado por Profª. Dra. Léa Elisa Silingowschi Calil - Advogada, Dra. em Filosofia do Direito e Professora de Direito do Trabalho no Centro Universitário FIEO - UniFIEO e membro da AIDTSS - Associação Iberoamericana de Direito do Trabalho e Seguridade Social. Autora do Livro "História do Direito do Trabalho da Mulher".


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