Deslocamento e Insegurança: O Caos na Infra-estrutura de Transporte no Brasil

Todo acidente aéreo sempre apavora as pessoas: a venda de passagens diminui, as ações tanto da companhia aérea como do fabricante do avião caem, aqueles que precisam viajar procuram outra empresa. Porém o mesmo não acontece com acidentes de automóveis. Embora pesquisas apontem que é mais provável alguém morrer em uma batida de carro do que em uma queda de avião, as pessoas não deixam de comprar uma determinada marca de carro ou ficam com medo de certo modelo por conta de acidentes com mortes em automóveis.

O trânsito no Brasil é extremamente violento. Mata-se nas ruas e estradas o equivalente a uma guerra do Vietnã por ano. Porém, nossa percepção do perigo é afetada diretamente pelo impacto da notícia na mídia. Divulga-se muito um acidente de avião; acidentes em estradas, por serem mais comuns, têm espaço reduzido na imprensa.

A crise aérea familiarizou o brasileiro com termos que ele deveria desconhecer: groving, cindacta, controladores de vôo, reverso 'pinado' etc. Não deveríamos conhecer esta terminologia, todos deveríamos poder entrar em um avião e voar tranqüilos. A tranqüilidade nos foi roubada, ainda mais depois que, ao invés de dez anos separarem um acidente de avião de outro, agora apenas dez meses os separam. O que mais angustia nesta crise é que a fuga pela estrada, para evitar o ar, não é mais segura. Nossas estradas são perigosas, esburacadas e mal sinalizadas e inexiste a opção de ir-se de trem, nossa malha ferroviária foi sucateada após décadas de descaso e abandono.

A triste verdade é que o brasileiro corre risco ao se descolar de um local para outro, as opções existentes são caras e perigosas. Um país de dimensões continentais merecia caminhos melhores.

© Texto elaborado por Profª. Dra. Léa Elisa Silingowschi Calil - Advogada, professora no Centro Universitário FIEO - UniFIEO, mestre e doutora em Direito pela PUC/SP. Autora dos Livros "História do Direito do Trabalho da Mulher" [LTr, 2000] e "Direito do Trabalho da Mulher" [LTr, 2007].


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