O Fim do Papel

O papel, descoberto na China por volta do ano 100 a.C., significou um marco na revolução que a escrita já trouxera para a humanidade. A escrita foi tão importante que seu surgimento divide a história da humanidade em pré-história e história. O motivo é simples: com a invenção da escrita foi possível que os acontecimentos fossem registrados ao invés de ficarem restritos à tradição oral e, portanto, ao esquecimento ou novas versões. Com o passar do tempo, a invenção de novas tecnologias e o surgimento de novas necessidades o uso do papel se tornou cada vez mais freqüente e intenso, tanto que é complicado pensar nossa vida sem a presença do papel hoje em dia.

Porém, há também a realidade de que a produção do papel traz grandes impactos ao meio ambiente e o corte de árvores, ainda que de manejo sustentável e advindas de reflorestamento, agravam os danos que a devastação das áreas verdes tem sobre o clima do planeta.

Somos uma das últimas gerações a conviver com jornais e livros impressos, nos próximos anos veremos cada vez mais a expansão de jornais online e de livros com edições eletrônicas. Os motivos são de duas ordens: os custos de impressão e a impossibilidade de atualização do papel já impresso.

O papel onde são impressos livros e jornais está cada vez mais caro e invariavelmente este custo é repassado ao consumidor, fato que desmotiva sua compra e, como efeito gera o aumento do custo, já que quanto menos exemplares vendidos, maior é o impacto dos custos fixos sobre o preço final. Até a popularização da informática convivíamos com cópias impossíveis de serem atualizadas sem rasuras, porém, hoje em dia, com edições eletrônicas e online convivemos com atualizações constantes e imediatas, ou seja, o jornal que muitas vezes chega às bancas traz matérias já superadas por sua própria versão na internet; livros acadêmicos tornam-se obsoletos com o lançamento de versões mais atuais.

Estamos perto do momento em que os jornais abandonarão suas versões impressas e só permanecerão com suas versões online com conteúdos exclusivos para seus assinantes; livros eletrônicos cairão no gosto do consumidor por seu preço acessível, o que popularizará a leitura e apenas restarão edições impressas caras e luxuosas para colecionadores; cadernos serão substituídos por dispositivos móveis que reconhecem a escrita e por notebooks que a cada ano tornam-se mais baratos.

Estamos vivendo uma nova revolução, tão importante quanto aquela lançada por Guttemberg quando inventou a máquina de impressão.

© Texto elaborado por Profª. Dra. Léa Elisa Silingowschi Calil - Advogada, Dra. em Filosofia do Direito e Professora de Direito do Trabalho no Centro Universitário FIEO - UniFIEO e membro da AIDTSS - Associação Iberoamericana de Direito do Trabalho e Seguridade Social. Autora do Livro "História do Direito do Trabalho da Mulher".


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