O Aprendiz 2 e a Ética

Semana passada, encerrou-se na rede Record de televisão o programa Aprendiz 2, um reality show em que vários jovens, confinados em um hotel de luxo de São Paulo, são submetidos a várias tarefas, que simulam atividades no mundo dos negócios, concorrendo a um emprego em uma das empresas de Roberto Justus, o apresentador do programa.

Há várias considerações a serem feitas sobre o programa, que em seu último episódio foi líder de audiência, traduzindo em números a curiosidade que desperta. A primeira delas, sobre o formato do programa, mais um entre tantos realities shows exibidos atualmente na televisão e que tanta audiência rendem, demonstrando que a vida sempre é mais fantástica do que qualquer ficção. Quantas vezes não nos deparamos com histórias reais que se fossem ficcionais taxaríamos o autor de ruim por inventar semelhante história? Não há histórias mais encantadoras, enternecedoras ou comoventes que as da vida real e, não à toa, a arte tantas vezes a imita.

Mas, ao contrário dos demais realities shows, em que as pessoas vão sendo eliminadas por votos de seus colegas, neste eles são demitidos um a um ao falharem em tarefas propostas, tarefas que simulam situações reais que as empresas enfrentam no mercado em um verdadeiro jogo de empresas. Óbvio que para irem parar na sala de reuniões para serem demitidos antes eles precisam ter participado da equipe que falhou na prova proposta e terem sido indicados pelo líder da equipe para a demissão, mas quem realmente escolhe quem sai é o apresentador Roberto Justus e é exatamente a postura dele ao criticar determinadas condutas que motivou este artigo.

Justus, em todas as reuniões, condenou posturas individualistas, falta de posicionamento a respeito de alguém ou alguma questão (o popular 'em cima do muro'), tentativas de prejudicar propositadamente alguém ou malfadadas armações para eliminar um forte concorrente. Ele sempre exigiu comportamento ético dos pretendentes à vaga de emprego que oferecia.

Ainda que atualmente haja todo um movimento em prol da ética e tanto que se fale em ética na política e nas empresas, seria ilusão pensar que a Lei de Gerson, aquela de levar vantagem em tudo, foi banida. O banimento da lei de Gerson ou mesmo de uma da mais conhecida proposição de Maquiavel - de que os fins justificam os meios - apenas se dará quando tal comportamento for reprovado e quem o aplica, punido. E era justamente isto que acontecia no Aprendiz 2 de Roberto Justus.

© Texto elaborado por Profª. Dra. Léa Elisa Silingowschi Calil - Advogada, Dra. em Filosofia do Direito e Professora de Direito do Trabalho no Centro Universitário FIEO - UniFIEO e membro da AIDTSS - Associação Iberoamericana de Direito do Trabalho e Seguridade Social. Autora do Livro "História do Direito do Trabalho da Mulher".


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