O Perpétuo Estado de Guerra

Em seu livro '1984', George Orwell coloca o Grande Irmão como líder da Oceania, país que ora está em guerra contra Eurásia, ora, contra a Lestásia; ou seja, um país que necessita sempre ter um inimigo contra o qual mobilizar sua população. Um país que sempre tem um inimigo que representa 'o outro' contra qual os habitantes deste país, iguais entre si no momento que tem um inimigo em comum, direcionam todo seu ódio.

George W. Bush, Presidente dos Estados Unidos da América, desde os atentados de 11 de setembro de 2001, vem colocando seu país em um perpétuo estado de guerra. Primeiramente, a pretexto de combater e por fim ao terrorismo, entrou em guerra contra o Afeganistão, o país mais pobre do planeta, e perpetrou uma caçada, que findou sem resultados, ao terrorista Osama bin Laden, usando a tática de terra arrasada, destruindo o pouco que restava das cidades afegãs.

Logo em seguida, e desta vez com o apoio do Primeiro Ministro inglês, Tony Blair, promoveu uma guerra contra o Iraque sob o pretexto de que Saddam Hussein teria em seu poder, segundo relatórios dos serviços secretos dos dois países, armas de destruição em massa. Armas de destruição em massa que jamais foram encontradas e atualmente sabe-se que os relatórios eram, ao menos parcialmente, falsos.

Neste meio tempo, o Presidente Bush envolveu-se em polêmica com a Coréia do Norte sobre a fabricação, por aquele país, de bombas atômicas e enviou tropas de paz, que não chegaram a entrar no país, para a Libéria, que enfrenta uma guerra civil. Ou seja, Bush vem mantendo seu país em um perpétuo estado de guerra onde há sempre um inimigo a ser odiado, perseguido e liquidado e, uma vez derrotado este inimigo, passa-se imediatamente para o próximo, em uma cadeia sem fim de guerras a serem travadas e vencidas. Verdadeiras batalhas do bem contra o mal onde George W. Bush personificou o paladino que luta, sem tréguas, pela justiça. Ou como o Grande Irmão, que mantém a Oceania sempre em guerra, para que seu povo compreenda os sacrifícios que tem de fazer e, como, apesar de tudo, seu governante é bom para com eles.

© Texto elaborado por Profª. Dra. Léa Elisa Silingowschi Calil - Advogada, Dra. em Filosofia do Direito e Professora de Direito do Trabalho no Centro Universitário FIEO - UniFIEO e membro da AIDTSS - Associação Iberoamericana de Direito do Trabalho e Seguridade Social. Autora do Livro "História do Direito do Trabalho da Mulher".


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