A Dona do Tempo

Alguns anos atrás, atrasada, sempre na ponta dos pés, de frente para porta da sala de aula, olhando para dentro através de uma janela, mais uma matéria interessante não sendo questionada, por causa do tempo que perdeu.

Conseguiu entrar, o professor liberou. Também, magnífica e cheia de esperança, impossível ficar do lado de fora do debate. Meus olhos observam tudo, principalmente quando sentado na mureta do corredor, onde todos passam e ninguém sabe quem você é.

O vaso de planta do meu lado já teve mais sorte. Também esta em cima da mureta do corredor de acesso às salas de aula. Propositalmente ali para ninguém sentar, acham sempre um cantinho. Participou de algumas conversas, confissões, planos, piadas e tristezas das pessoas que encostam para conversar.

Lindo sorriso, lembrança perfeita. Olhar meio distante das pessoas, talvez por causa de algo fora da vida acadêmica, talvez um romance conturbado ou psicótico? Não sei ao certo, apenas, olhos de coruja, dentre os demais olhos que não chamam tanto a atenção assim.

A cena se repete por longa data. Praticamente quase todos os dias. Nada da mesma ao pelo menos dizer algo de vácuo total, somente para observação, como por exemplo: "hoje está quente" ou o "trânsito esta terrível". Nada! Sua voz, uma incógnita. Com a formatura, somente figura distante da amizade.

Alguns anos depois, tecnologia a serviço da humanidade. Amigo não desaparece, por que insistir com o "Orkut"? A procura de novas pessoas? O que tinha que acontecer em sua vida, já aconteceu, dependendo da idade. Uma amiga surge. Quanto tempo, então, colega, melhor dizendo. Em sua lista, a desconhecida que tinha olhos de coruja, ainda são os mesmos. Lembra de mim?

Santo "Orkut" faz milagre. Terá um altar para o mesmo daqui alguns anos. A planta era desconhecida, mas a presença de minha observação foi lembrada. Feliz daqueles que em silêncio, são lembrados no meio da multidão. Do zero para "scraps" e nada mais, sua voz, ainda um mistério.

Trânsito caótico na cidade que nunca dorme chamada São Paulo. Música do final do CD costuma ser a melhor, mas como o "cd" regravável tem uma vida não tão útil assim, a música preferida sempre é ouvida com picotes.

Final de algum ciclo? Andando pela calçada, vendo o celular, mania deste século, atrasada como sempre para o trabalho a advogada da alma. É dona do tempo, sabe exatamente o que pode acontecer com o corpo, mente e coração.

Celular na mão, caminhando na calçada, CD no colo desesperado para escutar, vidas paralelas, enfim se encontrando por causa de um semáforo. De nunca ter escutado sua voz, hoje sei que fica verde de tanto tomar chá para emagrecer.

Alguém sabe os princípios da República? Soberania, Cidadania, Dignidade da Pessoa Humana, Pluralismo Político e, talvez, uma livre iniciativa. Princípios não são dogmas. Ciclo rodando, rodando, rodando...

© Texto elaborado por João Paulo Camargo - Formado em Ciências da Computação com ênfase em Análise de Sistemas, atuando na área de Tecnologia da Informação desde 1992. Formado em Direito pela Universidade São Marcos, tem sua participação no site voltado às novas tendências do mercado tecnológico com artigos do gênero, críticas ao desenvolvimento e artigos voltados aos relacionamentos humanos extraídos de experiências em diversas histórias.Atualmente, cursando pós graduação pela Universidade São Judas na área tecnológica.


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