In Memorian

Não tenho a menor dúvida que uma das coisas que mais produz alegria, pelo ao menos de forma momentânea e superficial é a bebida. Sempre condenam tal insumo por criar uma ilusão e uma fuga da realidade que acaba por gerar uma imensa dor de cabeça e uma imersão obrigatória na realidade deixada para trás. Agora de maneira mais substancial. Contudo, é importante refletir sobre outros aspectos. Afinal, o que é uma ilusão? E já diria Matrix, o que é o real? Estas respostas estão longe de serem dadas satisfatoriamente. Mas, se voltarmos à questão da bebida os que a contrariam vão dizer que a realidade é àquela que exige uma decisão responsável e racional. É a resolução completa dos problemas, sem a tentativa de fuga. É sempre estar com a mente afiada para a natureza cognoscível ao nosso redor. A ilusão, por sua vez, é a escapada irracionalista deste mundo que deve ser apreciado conscientemente. É a tentativa covarde de se abster das responsabilidades que a nossa própria liberdade lega. É uma forma de esquecer o que estar vivo representa.

A partir desta perspectiva inicial podemos concluir que, a vida é um conjunto de situações fatídicas que obrigam o homem a se deparar com o pior de si, vendo-o como consciente de que tem problemas e é sua obrigação kantiana resolvê-los. Fugir disto é visto como mera fraqueza. Devemos na prática viver observando as sombras platônicas, quer sejam religiosas ou não, achando que contemplamos a verdadeira realidade passível do nosso arbitrário controle.

Encontramos em nossa vida muitas formas de fugir da realidade, a maioria delas é não entorpecendo os sentidos. Quando vemos um filme ou uma novela, entramos na vida dos personagens e esquecemos a nossa. Ao ouvirmos músicas imaginamos tocando com tal harmonia. Ao lermos um livro, entramos num mundo que não faz parte de nossa realidade. Obviamente, nenhuma destas formas de ilusão acima deixa o indivíduo fora de suas funções sensoriais mais básicas, como a bebida faz, mas, a questão é da fuga da realidade. E enquanto a isto, creio que se o sujeito tem a plena liberdade de escolher de que maneira vai fugir dela.

É muito comum observar pessoas que afirmam ser a bebida a principal causa da violência em certos ambientes. Aí a questão seria mais profunda, mas, o que posso observar em meu círculo social é que, na verdade, umas biritinhas apenas potencializam as amizades, muitas vezes derrubando o véu de indiferenças e incordialidades. De fato, a bebida corresponde há uma fuga da realidade, mas, muitas vezes sendo mais real que a própria. O único grande problema é quando exageramos e esquecemos boa parte do que falamos, ou mesmo do que pensamos. Mas isto é outra história.

Maurício Alves Bezerra Junior
Idade: 24 anos
Professor de filosofia. Cursando pós-graduação em Metodologia do ensino e da pesquisa hiatórica.


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