O MAL É BOM, E O BEM CRUEL

Sábado de manhã, na padaria, conversando com o amigo Dalmo, descobri ser uma tarefa quase impossível, definir o bem e o mal.

Conversávamos a propósito da última novela das oito, "Laços de Família", e quão pouco "família" eram algumas cenas e diálogos do dia anterior, ao mesmo tempo, o jornal informava que o número de doadores de medula para pacientes com câncer, havia aumentado em razão da novela. Afinal de contas, a novela era do bem ou do mal?

Acredito que bem e mal são, acima de tudo, conceitos complexos, interpenetráveis e complementares. Difícil, né? Sim, mas não tenho como dizer de outro modo.Durante nossa conversa de padaria, Dalmo trouxe à baila uma reflexão de Madame Blavatsky avisando que a fronteira entre bem e mal é o fio de uma navalha.

Exemplificamos esta afirmação com o sucesso de vendas dos livros do Dalai Lama, toda uma literatura de auto-ajuda anterior a este livro, preparou o terreno para a ampla aceitação destes livros. Para manter minha coerência, estou me segurando para não chamar de brilhante e excelente a "Arte da Felicidade". Mas, pensando bem, qual o mal que há em dar opiniões?

Bem e mal, mais uma vez presentes. Será que nunca conseguiremos nos livrar deles? Acho que não, nossa estrutura humana é dual por natureza e essência. Assim estamos condenados a conviver com esse fio da navalha (bem/mal).

Para facilitar um pouco nossa existência, não julgue. Tenha como tarefa aprender a discernir entre os dois. Mas reconheça, como tudo nesse planeta terra, que ambos são relativos, passageiros, circunstancias e que a última de todas as verdades é feita só de bem. Um bem que nossa mera condição humana não permite sequer o mínimo vislumbre. Axé...

© Prof. Dr. Guilherme Assis de Almeida - Advogado, Dr. em Filosofia do Direito pela USP e Professor de Filosofia do Direito e I.E.D. da Universidade São Marcos.


Elaborado e Idealizado por Rosana Madjarof — Mantido por Carlos Duarte